
Enquanto você lê esse post, tem um evento rolando na Steam dedicado inteiramente a jogos feitos com Inteligência Artificial: o AI Gaming Festival.
Um verdadeiro showcase da tecnologia que, segundo os organizadores, “está transformando a forma como criamos jogos“.
Só que, nos bastidores, a coisa não é bem assim — e os primeiros resultados desse festival confirmam algo que pesquisa atrás de pesquisa já vem apontando: jogos feitos com IA generativa simplesmente não vendem.
Mesmo assim, tem gente ignorando esses dados e apostando as fichas justamente nesse caminho. Então achamos que já passou da hora de explicar, com números e casos reais, por que isso acontece — e se existe alguma forma de IA que realmente funciona nos games.
Por trás do AI Gaming Festival
O evento que gerou toda essa polêmica não tem qualquer relação oficial com a Valve — qualquer empresa pode organizar sua própria vitrine na plataforma, desde que passe pela aprovação básica da Steam. E quando você olha quem está por trás da organização, a coisa fica ainda mais estranha: o tal festival educativo tem ligação direta com uma plataforma comercial de distribuição de jogos feitos com IA.
Ou seja, o que promete ensinar o público sobre a tecnologia é, na prática, um baita funil de marketing. E o resultado, quando a gente vai atrás dos números reais de vendas e de jogadores simultâneos dos títulos expostos no evento, é revelador — pra dizer o mínimo.
IA generativa traz resultados abaixo do esperado nos games
Só que reduzir tudo a “IA em jogos não funciona” seria simplista — e é aí que mora o problema mais interessante. Com as tags do próprio evento, encontramos 195 jogos expostos, incluindo pérolas como Bad Rats: The Rats’ Revenge, de 2009, claramente inserido ali como piada.
A exceção que mais se aproximou de um sucesso comercial foi Esports Manager 2026, que bateu cerca de 300 mil cópias vendidas — mas mesmo esse caso positivo não sustenta a narrativa de que IA generativa é a saída fácil pro sucesso, afinal, o segundo maior hit do evento faturou 6 vezes menos que o primeiro colocado.
Pesquisas recentes mostram que cerca de 31% dos usuários da Steam são contra o uso de IA generativa nos jogos, sendo que 8% não compraria um título assim de jeito nenhum — e quase 90% conferem se a página do jogo avisa sobre o uso de IA antes de comprar.
Acontece que, do lado de quem vende, mais da metade dos profissionais ligados ao negócio dos jogos usa IA no dia a dia, enquanto, entre quem desenvolve, a maioria enxerga a tecnologia como problema.
Ou seja: quem produz, quem vende e quem compra estão, literalmente, jogando jogos diferentes.
Tem ainda uma confusão de linguagem por trás disso tudo: o termo IA virou, na cabeça de muita gente, sinônimo de uma coisa só — geração de conteúdo por modelo generativo. E isso ofusca outros usos da inteligência artificial que existem há décadas dentro dos games, são tecnicamente muito diferentes entre si, e nem sempre merecem a mesma bronca.
esperado nos games
A gente destrincha tudo isso no vídeo: os bastidores do AI Gaming Festival, os números reais de venda e audiência dos jogos expostos, o que as pesquisas mais recentes dizem sobre a relação entre jogadores, devs e o mercado de games — e até um exemplo concreto de uso de IA que a gente considera bem feito, algo que talvez você nunca tenha pensado em chamar de Inteligência Artificial.
Se você trabalha com desenvolvimento de jogos, estuda cultura digital ou só curte entender o que tá rolando por trás das manchetes, vale muito a pena assistir. Corre lá no vídeo completo no canal do Minas Arcade.
